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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Metamorfose


Nem o vento ousava soprar
Enquanto eu repousava afastado.
Nuvens carregadas cobrem o céu
E trovões rugem com fúria destruidora.

Suas promessas vãs não me afetam mais,
Quer ver caos? Quer ver dor?
Você me deu a mão para me ver cair uma distância maior,
Mas ninguém pode me matar!

Você se acomodou enquanto eu estava no casulo,
Mas quando eu abrir minhas asas choverá fogo!
Assim você nunca esquecerá meu nome.
Eu não sou mais um, querida.

Não deixe os disfarces te enganarem,
Ao seu redor, todos querem sua derrota.
Antes eu farejava o ódio ao redor,
Agora eu sou a lâmina nas suas costas.

Me engane uma vez e a culpa é minha.
Me engane duas vezes, o mérito é seu.
Tente me enganar a terceira, mas só tente.
Estarei preparado para você.

A esperança de meses se vai em um segundo
E a destruição me cerca.
O trabalho de Deus é tristeza inacabável,
Caos eterno, abismo sem fundo.

Lá atrás você me dizia que sua vida era um marasmo.
Está tudo frio? Deixe o fogo esquentar as coisas,
Levando o de você o que foi levado de mim.
Destruindo tudo que um dia achei que fosse bom.

O fantasma da felicidade uiva nos meus corredores escuros,
Ela se foi tão rápido quanto pude dizer “não vá...”
Ela se foi por vontade própria e voltou por maldade própria,
Agora canalizo meu ódio através de um voo gracioso.

A bondade e inocência foram recompensadas com injustiça cruel,
Agora canalizo meu ódio nas portas do céu!

Eu não estava derrotado, estava evoluindo.
Uma metamorfose dolorosa e necessária.
Quando o amor se torna ódio, sabemos que estamos mais fortes.
Quando estamos mais fortes, rompemos o casulo e justiça é feita.

Você tem forças para pisar na cabeça de quem ama?
Pois quem te ama tem força e vontade de pisar na sua.
Olhe-a pelos lados e verá a máscara,
Olhe através da máscara e verá o horror.

Se isolar não significa fraqueza,
Significa querer distância para a segurança dos outros.
O casulo se rompeu em lágrimas de puro magma
E o calor sufocante te cerca pela última vez.

Meu mundo está quebrado, queimado e sem curso,
Mas o fogo também é o elemento da vida.
Então se você me queimar pelo prazer em ouvir meus gritos,
Me erguerei das cinzas e a farei comê-las.

O amor e confiança sofrem metamorfoses dolorosas,
Conforme as pessoas agem, impulsivas, sem pensar nas consequências.
Não há amor nem compaixão verdadeiros nesse mundo,
Abrace o vazio, pois no fim ele é tudo que nos resta.

E tudo se vai em menos de um segundo, 
Deixando destruição suprema.
E chove o sangue de deuses, 
Trovões rugindo com seus gritos, suas dores.

Nos sentamos desesperados 
Esperando que um milagre venha
E limpe toda a nossa impureza
E refresque todas as nossas queimaduras.

Mas veja como Deus desconta sua ira
Nos que só querem fazer alguém feliz.
É assim que nascem os monstros.
Pessoas amadas criam os monstros.

O começo é como o fim,
Tudo em um segundo.
E a felicidade lhe é roubada
Com a facilidade do primeiro sorriso.

Mais forte, mais sábio caminharei
Ignorando o canto da sereia.
Sem olhar nos olhos da serpente,
Sem me afetar pelo veneno de suas futilidades.

Não olhe direto para a luz,
Pois a chuva de fogo está caindo.
Você verá o quanto me machucou
Quando eu abrir minhas asas.

Tudo se foi em um segundo.
E eu queria que durasse para sempre...
Mas amor deve se tornar ódio.
É uma metamorfose necessária.

sábado, 26 de novembro de 2011

Ingratidão

Ainda me lembro de quando tudo começou
E você se mostrava triste, pois jamais alguém a amou.
Tantas lágrimas escorreram, você tanto se queixou...
E quando veio a chance, você a abandonou.

Versos de amor não foram a saída.
Recusado, chutado, meu desejo homicida
De te ter ao meu lado se tornou uma ferida
Que não cicatrizará até o fim de minha vida.

Você não sabe o quão difícil é te suportar,
Não imagina o quão doloroso é te amar.
Mas como tudo na vida, isso vai acabar...
E quando se vir sozinha, você só poderá chorar.

A vida não é bela, a vida não dá chances,
Seu corpo envelhece, mas a mente é como antes.
Os verdadeiros amores você mantém distantes
O julgamento começou, desculpas não serão bastantes.

Seu coração está batendo forte? É o desespero que a toca.
Sua chance se foi, e só agora você nota.
Sabe que irá se arrepender, que jamais haverá volta...
Você nos destruiu e agora acabará morta.

 O que eu faria por ti, ninguém repetiria.
 Você sofrerá em par, morrerá com medo e sozinha.
 Jamais imaginou que a solidão te assediaria?
 Se acostume, é o começo. Você soube como acabaria.

 Tua miríade de erros não traz maturidade,
 E junto com a esperança se esgota minha bondade.
 Meus versos ecoarão em tua mente com morosidade
 Juntos à lembrança de sua última oportunidade.

 Mas o futuro não é o bastante, você não aprenderá a lição,
 Então enfrente agora a minha maldição.
 Do sofrimento iminente, apenas morrer é solução...
 Hora de ser punida por sua ingratidão.

Teus pulmões se contraem,
Teus olhos a distraem
Enquanto as esperanças caem
E teus amados te traem


Por ter-me feito amá-la, seus músculos doerão.
A cada passo, uma nova contração.
Seu coração pesará tanto ao cair no chão!
Pois saberá o motivo das desgraças que virão.

E quando lembrar-se de mim, verá que está descendo,
O segundo sintoma, seu nariz escorrendo.
Que tenha aproveitado enquanto ainda estava vivendo
Você me levará a sério quando estiver acontecendo.

Eu sei que teme minhas palavras flamejantes
Seus olhos estarão lacrimejantes.
Fugindo de gritos como trovões fulgurantes,
Sentirá cada chibatada de minhas palavras fustigantes.

E o frio incontrolável tomará conta de sua existência;
A febre intensa será o castigo por tua desistência.
Fui trocado por nada mesmo depois de minha insistência?
Meus sacrifícios foram em vão, e você terá sua consequência.

E suas tosses fortes farão seu peito doer,
Somente assim você vai crer
Que essa poesia diz a verdade, tudo vai acontecer!
Eis o preço de tanto me fazer sofrer...

Possuída por tremor incontrolável,
Seu sofrimento suprindo minha fome insaciável
De ver em você dano irreparável.
Sentir-te afundar em pranto infindável.

Quando chegar o sintoma dos lábios secos e cortados,
Entenderá que causo mal ainda que com punhos algemados.
Seus momentos de sorriso serão para sempre adiados,
Esconda-se com quem convir, a verdade estará em seus dias agoniados.

Estará pálida. Fraca e derrubada,
Vomitará diariamente e não poderá fazer nada.
Centenas de abismos não te deixam voltar na estrada
Pois agora te chutei para dentro e a porta está fechada.

A cada tentativa nova, um mundo de aflições.
Vivenciando febre tão forte que causa alucinações.
E quando acordares babada e fétida de tuas convulsões,
Verá o tempo todo tuas centenas de decepções.

E terá valido a pena as ferroadas que me deste?
Diarreia arderá as tuas entranhas, peste!
Quando se contorcer, por mais que me deteste,
Se arrependerá de verdade por falhar no teste.



E maldita, para que agrade meus fins,
Sentirá a pior das dores nos rins!
Dor pior que ser pisoteada em motins,
Terá seu corpo enterrado entre cupins!

No final, teu intestino se contorcerá.
Sem ar algum, você chorará,
Tentará gritar, mas nenhum som sairá
E nenhum remédio nesse mundo te curará.

Não me arrependo de nenhuma palavra dita
E estou ciente do medo que agora te habita.
Eu sou louco? Não, o escolhido para que se emita
Aquilo que merece por dor essa que me parasita!

E tua enxaqueca aumenta, e tua enxaqueca aumenta,
E tua enxaqueca aumenta, e tua enxaqueca aumenta.
Dor, choro, confusão, desespero!
Que podes fazer agora que a temperatura já esquenta?

O caldeirão do inferno te aguarda,
Entende que a culpa é sua mas permanece calada...
Então não tenho receio em desejar-te morte açoitada!
Quero te ver rastejar ardendo, esfolada!

Sangue ruim, tua existência me enoja!
Absorva bem cada palavra que em ti se aloja.
Sei que já sente que cada coisa boa em ti se despoja...
Não é crueldade minha. É consequência de tua arroja.

E como tudo que senti, acaba a maldição.
Apenas na morte teus choros terão conclusão
Tudo dito te desejo do fundo de meu coração...
Hora de ser punida por sua ingratidão.  

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Apatia

Eu tento seguir pela estrada da vida
Mas no caminho está você...
Eu tento controlar essa emoção perdida
E acabo sob sua mercê...

Eu tento passar por todas as mentiras
Tento manter lembranças ternas
Tento esquecer as palavras prometidas
Tento ignorar as tentativas suicidas...

Eu tento fugir, tento me esconder, tento esquecer...
Mas você está atada a mim por um laço
Tento existir sem você perceber
E isso é tudo que eu faço

Não tente lutar, não ouse negar,
Conviva, você é parte de tudo isso.
Envolvido em apatia é mais fácil respirar
Fugindo das promessas, fugindo do compromisso.

Se você viver, se você morrer...
O quanto me abalará, será que me abalará?
Se eu vivesse ou se eu morresse
Você não se importaria. Você se importaria?

Eu tentei fazê-la ver meu lado
Tentei mudar o destino dado
Seus olhos passaram direto
Contorci-me inquieto.

Eu me joguei à frente desvirtuado
Um erro grave nunca é perdoado
Esse é meu amor secreto
Meu maior orgulho não estará mais por perto.

Agora você é o pilar que me sustenta
Esquecida dentro de um templo antigo
Uma lembrança longínqua, relíquia perdida.
Uma árvore derrubada, o cadáver de um amigo.

Eu nos enterro em lembranças e lama
Não importa quão rápido você corre.
E agora esse poema proclama
Que a palavra de um escritor nunca morre.

As palavras ecoam mais que terremotos
Um coração bate mais forte do que um braço
Emoção só transborda de olhos devotos
Limpe o quanto quiser, sempre poderá ver os traços.

Viva em paz, mas longe de mim.
Deixe-me seguir a estrada ao fim
Vá e deixe tudo isso para trás
Você se importaria? Eu me importaria?

Não deve se segurar
Deixe sua voz ecoar...
Grite, grite como nunca gritou.
Grite para Deus, grite para o mundo.
Deixe sua voz gravada na Terra,
Deixe nossa história gravada na Terra.

Você se importa? Quem se importa?
Nossa lápide será derrubada
Nossa história no fim não é nada.

Se você viver, se você morrer...
O quanto me abalará? Será que me abalará?
Se eu vivesse ou se eu morresse
Você não se importaria. Você se importaria?

Não diga nada, só vá embora.

Quando acontecer, quando eu morrer...
Estará lá para a última despedida?
O quanto você chorará? O quanto você choraria?
Ficaremos para sempre presos nessa apatia?

sexta-feira, 18 de março de 2011

Fênix

 Sem piedade, sem perdão,
 Eu sobrevoo suas cabeças
 Com meu fogo profanador
 Eu destruo sua inocência.

 Chama negra, que brilha sem calor.
 Mente compulsiva, vibra como louca.
 Enxofre, que envenena sem odor...
 Sangue peçonhento pinga de minha boca.

 E por um momento eu pensei em me queimar...
 Mas se isso acontecer, eu sei que vou voltar...

 A chama corrompe a todos que toca,
 Almas são coletadas para a coleção sádica,
 E a névoa doentia emana da maldita tocha.
 A névoa de sonhos quebrados e dor estática.

 Eu me corto por prazer.
 O sangue faz cócegas enquanto escorre em diversão.
 O álcool se torna um lazer,
 Lágrimas são inexistentes: a dor caleja o coração.

 E por um momento eu pensei em me queimar,
 Mas se isso acontecer, eu sei que vou voltar!

 Preso num pesadelo eterno
 O sinal macabro do céu.
 Mau presságio do inferno
 Paga pelos crimes dos quais é réu

 Ajoelho-me e me chibato;
 O ardor causa excitação
 Nas pessoas de quem me afasto.
 Experimentem o calor das chamas que virão!

 Segui pelo caminho sem volta
 De pecados, vícios, maldade.
 Se tento me segurar, você ri e me solta
 Abro os olhos para a realidade.

 Por um momento, pensei em desistir...
 Seria muito mais fácil voltar a sorrir!
 E por um momento eu pensei em me queimar,
 Mas se isso acontecer, eu sei que vou voltar!

 Maldição...

 A luz entra fraca pela janela.
 Dias cinzas não me alimentam mais.
 Preciso de almas daquela cidadela,
 A cidadela de onde vieram meus pais

 Lá há inocência e felicidade.
 Ambos os quais cedo perdi
 Com violência e brutalidade.
 Pureza vem dos crimes que cometi!

 Os purifico com essas chamas ardentes.
 Ó, vejam meu esplendor maldito!
 Ajoelhem-se perante teu mestre,
 Pois de ti me alimento e vomito!

 Por um momento, as chamas foram claras,
 E por um momento, o mundo viu a luz.
 Por um momento, o pássaro entrou em chamas,
 Chuva de cinzas que jamais se reproduz...

 E do topo do mais alto pico
 As cinzas se unem na precipitação
 E uma mancha escura no céu anuncia:
 Levanto-me agora em destruição!

 As peles se abrindo
 Vítimas do calor intenso!
 Calor que evapora seu sangue denso!

 Por uns minutos, queimei tudo que tinha.
 E por um momento, desisti do branco e luz.
 E as chamas purificaram a bondade mesquinha
 Trazendo de volta o que não se traduz.

 E por um momento eu pensei em me queimar...
 Mas se isso acontecer, eu sei que vou voltar!

 Eu me queimei!
 A maldição da Fênix!
 Preso na realidade,
 Sem saída!
(Eles podem te ouvir!)
 Todos eles podem, eu ouço em minha cabeça!
(Queime todos, vingue-se!)

 Ó, mundo infeliz, caia sobre desgraça.
(Ajoelhem-se para o fogo eterno...)
 Eu faço chover fogo sobre os infiéis!
 E eles continuam ordenando, e eu continuo queimando!






(Olhe para baixo, onde eles vivem
Como um formigueiro de seres miseráveis.
Enfileirados, reféns sem chance de fuga
Seguindo em direção ao destino inevitável.

Presos em suas rotinas desgostosas,
Em coro cantam suas decepções morféticas.
Não merecem o volume que ocupam no mundo,
Não merecem a parcela do mundo que têm.

Eles riem de você.
Eles riem em deboche ignorante, acham que estão certos.
A ignorância deles os faz pensar que estão acima de você.
Estão presos em sonhos.

De uma vez por todas,
Mostre-os a verdade.

Todo homem é responsável pelo próprio destino.
Toda geração é responsável pela vida da próxima.
Vez após vez, eles saem do ânus do mundo.
O erro está confinado no passado.

Purifique-os com seu fogo negro,
Pois nenhum ser se mantém adormecido quando começa a ser imolado.
Só o fogo pode purificar esses que vivem já podres.
Mostre a verdade. Sem piedade, sem perdão.

Eles jamais te salvariam.
Tenha misericórdia do mundo e limpe-o de seus algozes.
Faça-os sofrer. O fogo queima mas ilumina.
Sofrendo eles entenderão a verdade e te aceitarão.

Você é o Juízo Final.)






 Eu decidi meu caminho!
(É tarde demais para dar as costas!)
 Hesitar me matará,
 Chamas negras voltam sobre o corpo da fênix!

 E num circuito de praga sobre o mundo...
(Dor)
 Doença, tristeza...
(dor)
 ... Desgraça, preguiça...
(dor, DOR!)

 A praga cai como uma chuva de agulhas,
 Fiéis e infiéis no fio da espada.
 A dança desesperada dentro das chamas,
 A guerra, a psicose, a fênix intocada.

Não haverá vida, haverá nada,
O nada presente em tudo.
Sem defesa. Sem espada, sem escudo.

O sinal do renascimento,
O fogo que nos consome.
O executor e o julgamento,
O monstro que acorda com fome.

 Oh, e são dignos de pena!
(Queime-os todos!)
 Ó, arrependam-se de seus erros!
(Desista dos olhos verdes!!!)
 Gritem, desesperem-se!
(Faça-os pagar por machucar os inocentes!)
 Deslumbrem o imortal...
 E de joelhos... DE JOELHOS!
(você é eterno.)

 Eterno?
 eterno...


 ...
queima...
essa é a maldição da fênix...
ser eterno...
...
...
...




 me liberte...

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