sábado, 29 de outubro de 2011

Te esperando

Ah, a acústica sob esse holofote.Ah, os ecos de sua voz..Ah, as sombras nesse anfiteatroAssistindo a mim, assistindo a nós. Eu gostaria de rir também,Mas é como se eu estivesse caindo.E não há nada que eu possa fazerFora fechar os olhos e mergulhar além Tentamos andar direto pelo caminho que começou no pecado.Conseguimos agir certo, mesmo quando o mundo estava errado.Um violão toca solitário no escuro atrás de nós; o que ele toca?Me pergunto se você ouve meu chamado. Por trás de meu sorriso, escondi tantas lágrimas.Para ver tua felicidade, enfrentaria tantas lástimas.Ouvi tantos adeus em vida. Não há nada que eu possa fazerFora fechar os olhos e mergulhar além? Quando você esteve no escuro e sozinhaEra como se alguém estivesse sempre te olhando.Essa presença, sempre se aproximandoQuerendo...

domingo, 16 de outubro de 2011

A Chuva

Gotas de pesar despencam do infinito,O escuro chora sobre nós incessante.É inescapável o sofrimento em mim inscrito.O fim solitário de um caminho errante. As árvores secas nessa noite de verdades,Testemunhas mortas do julgamento injusto,Retorcem-se em horror à nossas vaidadesE cedem de volta no ciclo augusto. Cai a chuva nessa noite solitáriaE nenhuma alma segurará minha mão.Meu choro unir-se-á à chuva nessa áriaE o mundo ignorará essa canção. Nos pântanos pútridos e mórbidosAgonizam perenemente os anjos caídos.Aprisionados ao deixar os caminhos acólitosChoram, de suas asas destituídos. A única luz hoje será a de raios raivososQue fustigam a terra com golpes inclementesInibindo-a com seus brados ruidososMe mantendo em castigos permanentes. Pois o homem que desafia o próprio destinoE põe seus...

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Náusea

Sozinho no escuro, os olhos inutilmente fechados por medo. Em prantos. Tenho-te ao meu lado e não te toco. E talvez não me importe. Talvez tente não me importar. Talvez me importe tanto que não consiga demonstrar. Talvez tenha demonstrado tanto que não deva mais fazê-lo. O céu é alaranjado com verde. O mundo tão podre que os pássaros carniceiros fogem de desgosto. A sociedade corrompida, o amor denegrido. As lágrimas são o sal que tempera o mundo. O vento uiva com o som de mil gritos. As pessoas marchando como porcos imundos para o abate. Escorregando nas próprias fezes, alimentando-se do próprio vômito. Presos em sua existência vã. Sem visão, sem existência, sem sonhos. Sem a ideia de fraqueza não há o forte. Sem a ideia de vida não há a morte. E seu abraço é só uma lembrança. E sem consolo,...

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A Flâmula

Pressão em meus ouvidos, o ar diminuindo.Declinando entre os caídos, a esperança vai sumindo.Agora não há nada que se possa fazer.Não há volta depois de acontecer. Durma, durma em suas memóriasAconchegada e protegida pela ignorânciaFeche os olhos e fuja de nossas históriasViva satisfeita e perseguida pela relutância. Tão insignificante.Está dormindo profundamente nos confins da Terra.Irá se levantar, avante!Desprovido de sentido, acima sua sagaz ação erra! Se arrastando pela lama fétidaVermes carniceiros dançam à sua boca.Preto-e-branca a haste de tua imagem cética.A flâmula de tua lembrança louca. As cores se misturamUm pavilhão de horroresUma miríade de homens juramNunca ter enganado seus amores. Se arrastando pela lama fétidaVermes carniceiros dançam à sua boca.Preto-e-branca a haste de...

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